Associação Dar Saúde e Escolha

direito à saúde e liberdade de escolha

FAIR COST HEALTH CARE

Posted by adminads em 02/02/2011

SAÚDE FAIR COST

Os europeus exigem acesso universal aos serviços de saúde e consideram esta protecção um direito humano. O aumento dos custos e as limitações orçamentais, contudo, ameaçam este verdadeiro SONHO EUROPEU.

A “sustentabilidade” tornou-se numa palavra mágica, na UE e nos EUA, mas sem mudanças radicais pode ser impossível de alcançar.

A iniciativa SAÚDE FAIR COST é um projecto para baixar os custos da saúde, na Europa, ao mesmo tempo que se garantem os mais elevados padrões de qualidade. Baseia-se na INOVAÇÃO, na GESTÃO DE PROJECTOS e na PROTECÇÃO AMBIENTAL.

INOVAÇÃO

O sector da saúde é altamente inovador. As novas tecnologias, porém, têm aumentado os custos globais em vez de os reduzirem (1). Este fenómeno pode estar a ocorrer porque as novas tecnologias introduzidas na saúde se têm dirigido a manter o actual sistema e não a “disrompê-lo”.

As inovações “disruptivas” (1) são inovações que simplificam e diminuem os custos . A iniciativa SAÚDE FAIR COST foca-se apenas neste último tipo de inovações.

GESTÃO DE PROJECTOS

Os serviços de saúde são projectos. Devido às suas características únicas, os serviços de saúde não podem ser produzidos, com eficácia, nem em massa nem em lotes. Têm de ser produzidos como projectos (2). A adopção da produção por projectos, na saúde, por corresponder à natureza dos serviços que os doentes procuram, tem um potencial enorme para diminuir os custos e melhorar a qualidade do “output”. A adopção da produção por projectos constitui uma inovação disruptiva.

PROTECÇÃO AMBIENTAL

Uma vida saudável depende de um ambiente saudável. Infelizmente, o excesso de consumo de medicamentos está a prejudicar o ambiente e a contribuir para a uma escalada desnecessária dos custos com a saúde. Uma monitorização mais perfeita do consumo de medicamentos, na UE, seria uma atitude ecologicamente responsável, que melhoraria a qualidade de vida e diminuiria custos.

 

INOVAÇÃO

As inovações disruptivas, as que rompem com o status quo, raramente surgem dentro das organização que já estão estabelecidas. As organizações estabelecidas tendem a repelir as tecnologias e os modelos de negócio que não se encaixam no seu ADN. Isto é especialmente verdade nas organizações maiores e mais centralizadas, o paradigma predominante na saúde.

O Full Cost não inventou o Low Cost. Foi o Low Cost que “disrompeu” os produtos e serviços do Full Cost. Nesta medida, é muito pouco provável que inovações disruptivas, com potencial para reduzirem significativamente os custos da saúde, surjam no contexto actual. É necessário criarmos oportunidades competitivas para novas empresas, públicas e privadas. Oportunidades para fornecerem produtos e serviços de saúde de elevada qualidade a mais baixo custo. Serviços que não sacrifiquem o conforto (Low Cost), mas que reduzam os custos através da inovação (Fair cost).

Estamos na altura certa para extrairmos todo o enorme potencial da inovação, por três razões fundamentais:

  1. A medicina está a tornar-se mais precisa
  2. As tecnologias da informação evoluíram
  3. A gestão registou avanços significativos

Novas entidades (empresas ou quaisquer outras organizações) que aproveitem destes avanços podem desenvolver ofertas revolucionárias que abram caminho à SAÚDE FAIR COST.

Políticas que facilitem o aparecimento destas entidades podem baixar os custos da saúde. Medidas importantes incluiriam:

  1. Eliminação de barreiras à entrada
  2. Concorrência baseada na criação de valor

Eliminação de barreiras:

Sugerimos a abolição de todos os custos administrativos com licenças,  agências de regulação, associações profissionais, alvarás, etc., para novas empresas de saúde, na UE, por um período de três anos.

Concorrência baseada na criação de valor:

Sugerimos a obrigatoriedade de publicar e divulgar os resultados obtidos pelos prestadores de cuidados de saúde, na UE, para realinhar a concorrência com a criação de valor para os doentes (princípio considerado fundamental por M. Porter e E. Teisberg).

 

GESTÃO DE PROJECTOS

A gestão de projectos (GP) tem sido usada extensivamente nas indústrias da saúde. Na construção de unidades de saúde, em projectos de TI’s ou até para desenvolver novos medicamentos.

O Project Management Institute (PMI) reconheceu esta realidade ao criar um “Special Interest Group (SGI) for health care”.

Infelizmente, o conhecimento e as ferramentas da GP não têm tido tão grande aplicação na produção de serviços de saúde. Apesar dos serviços de saúde serem tecnicamente projectos, os modernos hospitais ou “fábricas de serviços de saúde” (3) têm tentado produzir serviços em massa, sem respeitarem as características únicas dos resultados que os doentes procuram.

A consequência desta atitude é o desperdício de recursos e a insatisfação dos clientes – os doentes sentem que os seus casos não recebem a atenção particular que merecem.

Uma excepção a este cenário é a abordagem que as companhias de seguros assumiram nos EUA para conduzirem os tratamentos das vítimas de acidentes. Nomeiam Case Managers para cada caso, para gerirem todos os recursos disponíveis e assegurarem os melhores resultados.

Uma vez que é possível demonstrar que os serviços de saúde são “projectos”, a adopção de uma produção por projectos, na saúde, tem um potencial fantástico para reduzir custos e melhorar a qualidade, em simultâneo; um resultado altamente desejável.

Para atingir esse objectivo, sugerimos:

  1. A formação e certificação de Case Managers, na UE
  2. Apoios à inovação na produção

Formação e certificação de Case Managers:

A efectuar através da rede de ensino superior europeia. O chamado Case Management pode criar empregos, enquanto poupa recursos.

Apoios à inovação na produção de serviços de saúde:

Apoios a fundo perdido a conceder à entidades prestadoras de serviços de saúde que sejam pioneiras na adopção da produção por projectos.

 

PROTECÇÃO AMBIENTAL

A decade ago, the EEA and others first drew attention to the environmental impact of pharmaceuticals. Since then awareness has increased and research projects funded by the EU and others have expanded understanding of the use, exposure, fate, accumulation and impacts of pharmaceuticals in the environment (5).

We now understand better the potential eco-toxicity of many pharmaceuticals and mixtures of medicines that enter the environment during their production, consumption and disposal, albeit in very small quantities. In addition, it’s apparent that per capita consumption of medicines is increasing, monitoring and controlling pharmaceuticals’ entry into the environment is difficult, and some wastewater treatment techniques have shortcomings.

The situation is likely to deteriorate further as ageing populations demand ever more medicines, and persistent or bioaccumulative compounds build up. This is despite the reduced environmental impacts to be expected from more personalised medicine and biopharmaceutical advances (5).

Os resultados da investigação da EEA (Agência Europeia do Ambiente) indicam claramente que os medicamentos devem ser usados com moderação, pelo ambiente e pela saúde das pessoas. Um ambiente limpo é essencial para uma boa saúde.

Os medicamentos também devem ser usados com moderação porque têm efeitos adversos perigosos e interacções prejudiciais.

A polimedicação, definida como a toma de cinco ou mais medicamentos, está associada a um elevado número de complicações que determinam internamentos de urgência. Estima-se que, nos EUA, estas complicações da polimedicação custem mais US$ 136 biliões/ ano (2007) – aproximadamente US$ 450.00/ per capita/ por ano.

Felizmente, este problema pode ser melhorado com medidas políticas correctas.

  1. Mais e melhor informação
  2. 2. Aconselhamento farmacoterapêutico

Informação:

Sugerimos o desenvolvimento de um portal (internet) europeu com informação detalhada sobre todos os medicamentos à venda na UE, com pesquisa e alertas para a interacção medicamentosa. Este site disponibilizaria aconselhamento gratuito.

Aconselhamento farmacoterapêutico:

Sugerimos a formação e a certificação de Consultores Farmacêuticos, para revisão e auditoria do consumo de medicamentos, assim como apoio a médicos e farmacêuticos. A actividades dos Consultores Farmacêuticos tem um enorme potencial para reduzir o número de complicações da polimedicação e diminuir a sobrecarga de medicamentos no meio ambiente.

 

REFERENCES

  1. Christensen CM, Grossman JH, Hwang J: The Innovators Prescription – A Disruptive Solution for Health Care. McGraw-Hill, 2009
  2. Porter M, Teisberg EO: Redefining Health Care: Creating Value-Based Competition on Results. Harvard Business Press, 2006
  3. Herzlinger, RE: Consumer-Driven Health Care – Implications for Providers, Payers and Policy-Makers. San Francisco. Jossey Bass Wiley, 2004
  4. Couto J: Project management can help to reduce costs and improve quality in health care services. JECP, 2008, 14:48-52
  5. EEA Technical report: Pharmaceuticals in the environment, Nº1 /2010
  6. Stern M: Case Studies in Geriatric Emergencies – Polypharmacy. Emerg Med 39 (6):10, 2007

 

 

 

 

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tendencialmente pago

Posted by adminads em 12/01/2011

Atestados
Atestados médicos
Confirmação de atestado médico
Atestado multiuso de incapacidade em junta médica
Atestado em junta médica de recurso
20 euros
10 euros
50 euros
100 euros
Vacinas
Vacina contra a febre amarela
Vacina contra a febre tifóide
Vacina contra encefalite japonesa
Vacina contra meningite trivalente
Vacina contra raiva
100 euros
50 euros
100 euros
50 euros
50 euros

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A tutela condiciona a gestão

Posted by adminads em 19/11/2010

O Tribunal de Contas teceu duras críticas à forma como o Ministério da Saúde estabeleceu o preço a pagar por hora aos médicos tarefeiros. E diz que a tutela condiciona a gestão das administrações dos hospitais públicos.
“Os preços fixados dão informação ao mercado da existência de uma oferta de médicos, eventualmente, superior à real, não reflectindo a actual necessidade de maior produção/formação de profissionais médicos, consequência de falta de planeamento dos governantes e eventuais concessões a grupos de interesse”, refere o relatório do Tribunal de Contas.
O documento deita por terra as justificações do Ministério da Saúde para a fixação dos preços a pagar aos clínicos contratados. Na altura do anúncio da medida, a ministra Ana Jorge explicou que o objectivo era a contenção de custos e a melhor gestão dos recursos. Para o TC, “os argumentos utilizados são contraditórios e inadequados”. “Os preços devem ser tudo menos arbitrários”, reforça.
O relatório afirma ainda a fixação dos preços que os hospitais pagam aos médicos externos “é demonstrativa da efectiva incapacidade negocial de parte dos conselhos de administração das várias unidades hospitalares”, que em 2007 e 2008 não foram capazes de contratar serviços por valores mais baixos.
E crítica a forma como a tutela se impõe na gestão interna dos hospitais. “Trata-se de conselhos de administração que não lhes é reconhecida autonomia decisional para administrar os hospitais”, afirma o Tribunal de Contas.
Via DN

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Alterações à ADSE

Posted by adminads em 12/11/2010

O Governo enviou anteontem à noite aos sindicatos da função pública uma proposta com alterações à ADSE, que será discutida na próxima sexta-feira. Conheça o sistema e as principais mudanças.
1 – Beneficiários
A ADSE conta com mais de 1,3 milhões de beneficiários, entre trabalhadores no activo da administração central, regional e local, professores do ensino particular e cooperativo e aposentados. Podem ainda beneficiar deste regime de saúde os filhos dos titulares, cônjuges ou equiparados.
2 – Descontos
Os funcionários públicos descontam 1,5% do seu salário para terem acesso à ADSE e o Governo garante que não vai aumentar o valor da contribuição. Já os reformados descontam 1,3% mas a contribuição está a crescer 0,1 pontos por ano por forma a igualar em breve os descontos do pessoal no activo.
3 – Deixa de ser obrigatório
A inscrição na ADSE sempre foi obrigatória para a função pública. Em 2006, os novos trabalhadores passaram a poder optar por este regime. Agora, o Governo propõe que todos os funcionários – mesmo os que estavam inscritos antes de 2006 – possam renunciar a este subsistema de saúde. Quem renunciar, fica impedido de voltar a beneficiar da ADSE.
4 – Benefícios excluídos
Quando a proposta do Governo entrar em vigor, em Janeiro de 2011, vários cuidados de saúde deixam de ser comparticipados: cuidados no âmbito da saúde pública, em resultado de acidentes de trabalho ou doença profissional, ensaios clínicos, terapêuticas não convencionais e cirurgia estética.
5 – Limites às comparticipações
A proposta do Governo prevê que os actos e cuidados médicos comparticipados pela ADSE passem a ter um número limite e definem um período durante o qual se podem realizar.

Via DE

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Fundação Gates

Posted by adminads em 11/11/2010

A malária é uma doença cujo combate continua a desafiar investigadores por todo o mundo. De forma a incentivar o estudo desta doença mortífera, a Fundação Bill & Melinda Gates, no âmbito do programa Grand Challenges Exploration, vai financiar dois projectos portugueses que almejam combatê-la através de diferentes meios e abordagens inovadoras.
No Instituto de Medicina Molecular (IMM), Miguel Prudêncio, Maria Mota e a sua equipa propõem desenvolver uma vacina contra a malária, enquanto Miguel Soares (Prémio Seeds of Science – Ciências da Saúde – 2011), do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), e Henrique Silveira, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), pretendem abordar esta doença por outra vertente, recorrendo a anticorpos contra a flora intestinal, produzidos naturalmente no corpo.

Via Ciência Hoje

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A ELEIÇÃO DE UM BASTONÁRIO

Posted by paulomendo em 17/10/2010

 

 

 

 

 

 

A eleição de um novo Bastonário da O.Médicos

Paulo Mendo

 

Cheio de boas intenções está o inferno cheio, diz a desconfiada sabedoria popular.

E é verdade.

Não basta ouvir projectos e intenções de alguém para se ficar seguro que esse alguém procederá de acordo e com sucesso.

É preciso muito mais.

E no caso das candidaturas para Bastonário da Ordem dos Médicos, tem enorme importância conhecer o passado e presente de quem se candidata, a coerência de sua vida profissional com os valores que defende e que quer desenvolver, a justeza do diagnóstico que faz da situação actual da nossa Ordem e da sua acção passada, a sua experiência de participação cívica na luta quotidiana que tenha travado na defesa dos objectivos que aponta e dos valores que afirma serem os seus.

Feito este estudo, chegaremos a um diagnóstico bastante mais seguro que o aceitar passivamente as intenções expressas.

Tal com na nossa clínica diária em que devemos conhecer bem a história pregressa do doente, os seus hábitos, a sua personalidade, para melhor o sabermos diagnosticar, ajudar e tratar.

Foi naturalmente o que fiz em relação aos candidatos, confessando desde já que a minha simpatia ia, desde que ouvi falar na sua provável candidatura, para a colega Isabel Caixeiro.

Colega com uma vida profissional bem cheia, que começa nessa grande aventura que foi o serviço médico à periferia, passando pela pesada rotina da carreira médica do SNS, primeiro fazendo o internato de Patologia Clínica e depois, por amor, enveredando pela carreira de Clínica Geral e Familiar , de que é Assistente Graduada desde 1995.

Este  pesado quotidiano não a impediu de frequentar e adquirir formação complementar em cursos de formação em áreas do Trabalho, Saúde Publica e Gestão de serviços e de participar oficialmente em organismos internacionais no âmbito da UEMO (União Europeia dos Médicos de Clínica Geral e de Família) de foi Vice Presidente de 2004 a 2007 e Presidente de 2008 a 2010.

E claro, como todos sabemos , está à frente dos destinos do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicas desde 2005.

Belo currículo que nos define alguém  com uma visão ampla e universalista da nossa profissão, da importância  da nossa participação cimeira na análise e definição de políticas sectoriais e do papel que a Ordem dos Médicos deve  ter no escrutínio das políticas governamentais, na defesa do SNS ( o mais  conseguido programa do Portugal democrático), no seu financiamento e na melhoria constante da forma de atendimento humano do cidadão.

Ora isto, que eu reconhecia na Dra. Isabel Caixeiro, confirmei com satisfação, mas sem espanto, na apresentação que fez no Porto da sua candidatura e onde. em termos claros, aponta metas e objectivos que julgo essenciais nos dias que correm: uma liderança segura mas aberta e colaborante ( só as lideranças soft são fortes!), atenção ao quotidiano onde se passam as vitórias , os dramas e as agressões à dignidade dos doentes, que têm que ser o centro das preocupações dos políticos.

Por tudo isso a Dra Isabel Caixeiro, sem menosprezo de outros candidatos, é a minha bastonária.

 

Paulo Mendo

28-09-2010

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Déjà vu

Posted by paulomendo em 17/10/2010

 

 

Déjà vu    ( in Semana Médica)

Paulo Mendo

 

Em todas as revisões constitucionais surgiram  coros militantes gritando ao  “ golpe de Estado”, ao atentado à democracia e ao regresso do fascismo.

E cá estão eles  novamente !

E novamente o PS bem alinhado lidera o coro para, no final, como das outras vezes, muito a custo,  arranjar umas justificações esfarrapadas para aceitar algumas mudanças, sempre com a enorme preocupação de não ferir demasiadamente os mitos de que a esquerda folclórica e ele próprio se alimentam.

É o  desagradável “ Déjà vu”

Aí está a destruição do estado social, o regresso da ditadura patronal, a entrada do híper liberalismo que apavora os socialistas que acreditam no papão, o regresso do mundo só para os ricos e o  abandono dos pobres, das crianças e das viúvas!

E ninguém dessas áreas tem vergonha e apela ao bom senso.!

Estamos em período  que a própria Constituição consagra de revisão.

Por essa razão o PSD como partido de poder, apresenta, com tempo e como tinha prometido o actual líder, algumas das propostas que colocará à discussão quando chegar o momento.

Ainda nem a mesa das negociações está pronta nem o momento chegou mas já todas as boas almas dos direitos, das liberdades, das democracias, do socialismo,  têm um ataque de histerismo virtuoso.

Esta esquerda quer fazer-nos acreditar que é  o Estado que paga cerca de 10 mil milhões de Euros por ano para o povo se tratar de graça e não o povo que vê os Governos cobrarem-lhe 10 mil milhões de impostos para assegurar o funcionamento dos serviços de saúde.

Desde há mais de 10 anos que sistematicamente, com persistência e determinação estão a destruir o SNS, abolindo as carreiras profissionais, transformando os hospitais em empresas com gestores políticos,, inventando as parcerias publico privadas (PPP),  mas lançam a acusação (que tanta boa gente aceita!) que é a retirada da gratuitidade do texto constitucional que  significa   a determinação cruel e sinistra da direita  de fazer os pobres pagarem os serviços que até agora lhe são… “dados”!

Sendo o “tendencialmente gratuito” um mito sem sentido, deve ser retirado da Constituição que, isso sim, deve garantir  o grande e indiscutível direito do cidadão a ser tratado seja qual for a sua situação económica e exigir que os governos encontrem forma socialmente justa de financiar de forma suficiente e sustentada este SNS que é, provavelmente, o melhor sucedido programa do Portugal democrático.

Há muitos anos que acuso a actual forma de orçamentar a saúde como injusta, gerando permanentes défices, sem sustentabilidade, irracional e incontrolável.

Não é no O.E. que deve orçamentar-se a saúde que, tal como a Segurança Social deve ter orçamento próprio vindo de impostos consignados a esse fim, tanto mais altos quanto mais altos forem os rendimentos de cada um de nós.

Então, no acto da prestação do serviço, seremos todos iguais em direitos e será possível a livre escolha e o chamado “opting-out”.

Tratem do SNS como acção soberana de um Estado moderno e não mantenham a gratuitidade constitucional que se tornou um mito – obstáculo de uma boa política de financiamento.

Vale a pena insistir no tema.

24-07-2010

Paulo Mendo

 

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Entrevista sobre o SNS – NOTÍCIAS MÉDICAS

Posted by paulomendo em 17/10/2010

 

Entrevista para o “Noticias Médicas”, apresentada em  23-09-2010 pela Jornalista  Claudia Azevedo

 
– É importante, para si, comemorar o Dia do SNS?

 

Detesto os aproveitamentos político-partidários mascarados de homenagem, como alguns estão a querer fazer do Dia do SNS.

– O Sr. Dr. Paulo Mendo defendeu, recentemente, que o próximo Orçamento de Estado (O. E.) devia garantir a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. De que modo?

 

O financiamento da  Saúde tem que ser sustentadamente  suficiente para garantir a constante melhoria do  SNS em qualidade, eficácia de desempenho e oferta de cada vez mais conforto e rapidez de atendimento aos cidadãos.

Por isso, tendo este princípio como essencial, defendo, há vários anos, que o seu financiamento seja feito através de um imposto consignado à Saúde que cada  cidadão pagará de acordo com a  sua riqueza, garantindo  não só o pagamento das suas despesas como das despesas dos cidadãos isentos de impostos.

Naturalmente será  retirada do O.E. a parte que  é atribuída à Saúde e que este ano é de  cerca de 9 mil milhões de euros.

Os políticos e economistas de Saúde saberão construir , dentro deste modelo, a estrutura mais  eficaz e socialmente justa sem mesmo necessidade de revisão constitucional, porque se manterá a gratuitidade no acto da prestação.
– Teme que a crise e os cortes na Saúde ponham em causa o SNS?

 

É evidente que sim.

Todos os cortes no financiamento da Saúde,  porque feitos às cegas, impedem o desenvolvimento de programas em curso, dificultam o planeamento e definição das políticas sectoriais e  criam um sentimento geral de desânimo e descrença paralisantes.

Um clima de penúria conduz à degradação do  atendimento a doentes e utilizadores, atrasam a modernização dos equipamentos  que tem que ser constante e a tempo certo e   tornam  a sua recuperação  futura muito mais cara e difícil.
– Como encara a possibilidade de fazer recuar o SNS, depois de o PSD ter proposto, no âmbito de um seu projecto de revisão constitucional, que se acabasse com o SNS “tendencialmente gratuito”?

 

“Tendencialmente gratuito” é um mito traiçoeiro que  serve para os governos manobrarem o orçamento da Saúde de acordo com as conveniências dos outros ministérios, do que resulta o crónico subfinanciamento do sector.

Alguém acreditará neste país que um sector que custa aos contribuintes cerca de 9 mil milhões de euros ano é tendencialmente gratuito?
– No Manifesto do SNS, os subscritores consideram que, com “o abandono dos princípios da universalidade e da tendencial gratuitidade, teríamos o sistema universal de pagamento no acto, com excepções, segundo o nível de pobreza individual e que “voltaríamos ao inquérito assistencial da caridade do antigo regime, estigmatizante e gerador de compadrio e fraude”. Como
comenta?

 

A retirada da controversa frase não significaria nenhum abandono de princípios.

Atualmente serve apenas para que a nossa esquerda portuguesa a utilize para esconder o gravíssimo problema do subfinanciamento da saúde, transformando um muito discutível princípio em dogma celestial que tranquiliza a sua má consciência e nada corrige.

 

– O défice do Serviço Nacional de Saúde diminuiu 10,5%, ficando nos 10,16 milhões de euros, no primeiro semestre deste ano. De acordo com o Ministério da Saúde, as principais rubricas que fizeram o défice do SNS reduzir-se em 12 milhões de euros no primeiro semestre foram as despesas com pessoal, os

Meios Complementares de Diagnóstico e Tratamento e as transferências para os hospitais com gestão empresarial. Considera que são boas notícias?

 

Como temos visto no actual quotidiano político, nada é mais fácil do que manobrar números e afirmar poupanças ou despesas conforme as conveniências.

Por isso a única atitude política a tomar com urgência é estudar uma nova forma de financiamento autónomo da saúde .

Só assim saberemos quanto gastamos e quanto cada um de nós contribui efectivamente para as despesas nacionais com a saúde.

A trapalhada actual permite tudo, sem verdade e sem mentira!

 

– Como ficarão as carreiras médicas?

 

A completa insensibilidade e ignorância do sector por parte dos últimos governos fez  das carreiras profissionais da Saúde simples empregos sujeitos a “contratos individuais de trabalho”.

Desapareceram o acesso por concurso, a hierarquia interna por mérito, a dignidade de  carreira de Estado.

Cortar nas despesas,  fechar as admissões, centralizar a gestão das instituições falsamente autonomizadas, fazer parcerias promíscuas com o privado, destruir as carreiras profissionais, fazer da gestão das contas o objectivo fulcral do SNS com um total desprezo pelos cidadãos “beneficiários”são, essas sim,  as grandes agressões ao SNS que , depois tentam esconder com o  “tendencialmente gratuito” eleito como o grande perigo!

– Era esta a evolução que sonhava para o SNS, quando era Ministro? O que espera do futuro?

 

Sou um optimista céptico, tenho já a calma e tolerância da velhice e a experiência de trinta anos em que ajudei a construir um SNS que é a maior realização do Portugal democrático.

Fui médico hospitalar com concursos e regime em tempo exclusivo em carreira de Estado

entei ser um bom profissional, ajudei a criar uma nova especialidade, actualmente pujante e essencial na área das ciências neurológicas.

Fui docente, director de serviço, director de Hospital Central, político activo na área que me apaixona.

Por isso sei que o SNS é querido e desejado, que  vai resistir a este últimos anos de desnorte socialista e continuar a recuperar das maldades que lhe fizeram, voltando a ser um respeitado serviço público nas áreas de ambulatório, dos Centros de Saúde e dos Hospitais,  com carreiras de Estado, hierarquizadas por concursos de mérito, que estabelece com o sector privado relações autónomas de colaboração e em que o conhecimento seguro de quanto cada um de nós contribui para o seu financiamento permitirá a livre escolha e a participação consciente e interessada do cidadão na sua orientação

 

PARA

Cláudia Azevedo
(claudia.azevedo@netcabo.pt
917170085)

 

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Orçamento da Saúde e desperdício

Posted by paulomendo em 17/10/2010

Orçamento da Saúde e desperdício.

Paulo Mendo

É moda, desde há anos, acusar a Saúde de grandes desperdícios, calculáveis, quantificáveis e, por si só, indicativos de um esbanjamento inadmissível dos dinheiros que lhe são alocados.

Acusação anunciada aos quatro ventos por políticos, partidos, profissionais e até economistas  que repetem, inventando um número mágico, porventura enorme, cuja correcção  solucionaria imediatamente a a sustentabilidade financeira desta Saúde que gasta sem medida.

Dizem os sábios que de cada cem euros entregues à saúde, com o  sacrifício dos contribuintes,  vinte são “esbanjados” em “gastos desnecessários e inúteis”!

E não há reformador político, chefe de Partido, ou mesmo Ministro da pasta que não aceite esse valor  e a necessidade da sua correcção salvadora.

Ninguém faz ideia de como se calculou este desperdício, a que corresponde um “gasto desnecessário” ou se 20% é um escândalo de má gestão ou, pelo contrário,  é um valor muito aceitável num universo onde a inovação é constante!

Ninguém sabe nada, mas, à boa maneira nacional, está encontrada uma razão que a todos satisfaz e  que a todos deixa convencidos do remédio encontrado: a luta contra o desperdício.

Vêm alguns pôr isso em causa, como em muito recente artigo nesta nossa  “ Semana Médica” o Prof Carlos Costa e Almeida, afirmando que “ a medicina mais barata é a boa medicina e essa só se consegue com bons médicos e não com vigilantes administrativos”

Mas somos muito poucos e pouco ouvidos.

Pois é este “soi-disant” desperdício de vinte por cento, que surge como o valor mágico dos milhões a combater para salvar a Saúde e que só as modernas técnicas administrativas ( com muitos administradores, claro)  poderão levar a cabo.

O que significa que a parte mais nobre, essencial para o progresso, representante da inovação e do aumento do conforto e melhoria de atendimento do doente vai  passar, está já, a  ser controlada como desperdício.

Tudo ou quase tudo pode ser considerado “esbanjamento” ou “ despesa inútil”: Para me sentar basta-me um escano de pau e entre este espartano escabelo e o opulento  sofá onde está o que a administração considera já ser  desperdício?

Ainda não perceberam que o desperdício, como diz o Dr. Costa Almeida só se evita com as boas práticas  dos profissionais de saúde, na sua actuação diária e que o grande despesismo  se controla com o bom senso do médico praticando uma boa medicina?

E que é aí que deve estar a boa política?

Políticos e administração ainda não aprenderam que uma área essencial como a saúde pública não pode ser cortada das despesas de manutenção, melhoria e inovação sob pena de  a degradação estrutural que isso causa custar à geração futura quase um novo investimento de raiz, muito mais caro e que ninguém sabe se poderemos suportar!

E se os políticos e administração actual já cá não estarão e se “marimbam” para o futuro, o povo deste País cá continuará com o direito a ter sempre os melhores serviços públicos do mundo civilizado, mas vendo-se na realidade condenado ao banco de pau de réus condenados!

Porto,12-10-2010

 

 

 

 

 

 

 

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Previsão do OE 2011

Posted by adminads em 17/10/2010

– 1.255 M€ para a saúde.

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